Tradutor Inglês Português

Tradução Inglês Português

Posted on: maio 22, 2010

Tradução Inglês PortuguêsSem a nomear explicitamente, Rudolf Pannwitz
caracterizou o verdadeiro sentido desta liberdade num trecho
da sua “Crise da Cultura Européia”, que ao lado das notas que
Goethe fez para o seu “Divan”, deve facilmente contar entre o
melhor que na Alemanha jamais se publicou sobre a “Teoria
da Tradução”. Eis o que lá encontramos escrito:
as nossas versões, mesmo as melhores, partem dum princípio falso:
elas pretendem germanizar o índico, o grego, e o inglês, em vez de
indianizar, helenizar e inglesar o alemão. Elas têm um respeito e uma
veneração muito maior pelos usos e costumes da sua própria língua do
que pelo espírito de uma obra estrangeira… o erro fundamental do
tradutor consiste em este se agarrar ao estado em que por acaso se
encontra a sua língua em vez de a submeter ao poderoso impulso das
outras línguas. Sobretudo quando traduz de uma língua muito
afastada da sua, ele deve fazer por remontar nessa língua aos
elementos básicos em que a palavra, a imagem e o som se unificam,
alargando e aprofundando a sua própria língua em função da língua
estrangeira; poucas vezes se tem noção da medida em que isso é
possível e até que grau uma língua é suscetível de evoluir, porque
apesar de tudo as línguas diferem tão pouco entre si como os dialetos,
isto se não as considerarmos ligeiramente e se a nossa análise as
encarar com suficiente seriedade.
Até que ponto uma tradução consegue estar à altura,
até que ponto consegue corresponder à essência desta forma
será objetivamente determinado através da traduzibilidade40
do original. Quanto menos a sua linguagem tiver em valor e
dignidade, mais ela será em comunicação,41 e menos terá a
tradução de ganhar com isso, até que a completa
preponderância do significado, longe de atuar como uma
alavanca para a tradução plena, acabará mesmo por a
malograr. Quanto mais elevada for a forma tanto mais ela
permanecerá traduzível no contato fugidio que tem com o seu
significado. Naturalmente isto só é válido para os originais.
As traduções, por outro lado, provam serem
intraduzíveis não por causa do seu peso mas sim por razão da
ligeireza com que nelas é fixado o significado.42 Confirmam
isto as versões de Hölderlin, em especial as duas tragédias de
Sófocles, que também são importantes para outros pontos de

vista não menos essenciais. Nelas a harmonia das duas
línguas é tão profunda que a língua toca no significado tão
ligeiramente como o vento passando por uma harpa eólia.
Neste sentido as traduções de Hölderlin são verdadeiros
arquétipos da sua forma. Elas estão para as mais perfeitas
traduções dos seus textos como o arquétipo para o protótipo,
como se pode ver comparando as traduções que Hölderlin e
Borchardt fizeram da terceira ode pítica de Píndaro.
É por essa razão que podemos encontrar nelas o
tremendo e fundamental erro de todas as traduções: que os
portões duma língua tão alargada e tão bem dominada
acabem por se fechar, encerrando consigo no silêncio o
tradutor. As últimas obras de Hölderlin foram de fato as suas
traduções de Sófocles. Nelas o significado precipita-se de
abismo em abismo até ameaçar perder-se nas insondáveis
profundezas da língua. Há todavia um ponto em que é
possível parar. Mas mesmo assim ele não nos é concedido em
nenhum texto senão nas sagradas escrituras, em que o
significado deixa de ser a linha divisória para as águas
torrentosas da Língua e para as líquidas torrentes da
revelação. Onde o texto na sua literalidade pertence de modo
imediato e sem um significado intermediário à Língua
verdadeira, à Verdade, ou à Doutrina, ele é pura e
simplesmente traduzível, não por sua própria causa, mas
simplesmente por exigência das línguas.
Perante ele é exigida uma confiança tão ilimitada nas
capacidades da tradução, que aqui na forma da versão
interlinear43 a literalidade e a liberdade se têm que unir como
no caso da Língua e da revelação, pois todos os grandes
escritos, e mais do que qualquer outro os textos sagrados,
contêm em si nas suas entrelinhas em grau variado a sua
tradução virtual. E assim a versão interlinear do texto
sagrado44 é o arquétipo ou ideal de toda tradução.

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