Tradutor Inglês Português

Tradutor Inglês-Português

Posted on: maio 22, 2010

Tradutor Inglês-Português  Tudo nos leva a crer que esta consciência intuitiva não
seja necessariamente mais acentuada no poeta, e talvez nele,
como poeta, tenha até menos razão de existir, pois a história
não confirma aquele convencional preconceito pelo qual o
tradutor de importância é por necessidade um grande poeta,
e o poeta insignificante um mau tradutor. Entre os grandes,
Lutero, Voss e Schlegel são sem dúvida muito mais
importantes como tradutores do que como poetas; e entre os
maiores, como Hölderlin e George, o conceito de poeta de
maneira alguma se revela suficiente para abranger toda a
amplitude da sua obra de tradutores. Ora, do mesmo modo
que a tradução constitui em si própria uma forma distinta,
também a tarefa do tradutor é intrinsecamente diferente
daquela que é própria do poeta.29
Ela consiste em encontrar na língua em que se está
traduzindo aquela intenção por onde o eco do original pode
ser ressuscitado. Trata-se aqui de uma característica da
tradução que a distingue claramente da obra poética, pois que
a intenção desta não visa a língua por si mesma e na sua
totalidade,
pretendendo
apenas
obter
diretamente
determinadas relações lingüísticas. Porém, ao contrário do
que acontece com a poesia original, a tradução não se
encontra situada no próprio centro da floresta da língua, mas
sim fora desta, e sem entrar nela a tradução invoca-a para
aquele mesmo e único sítio onde o eco, através da própria
ressonância da obra, pode transmitir-se a uma língua
estranha. A intenção da tradução não é somente dirigida a
finalidades diferentes mas difere já em si própria da intenção
da obra original: enquanto a intenção da obra artística é
ingênua, primária e plástica,30 a tradução norteia-se por uma
intenção já derivada, derradeira mesmo e feita de idéias
abstratas. O motivo principal de uma tal integração das
diferentes línguas numa língua única e verdadeira da razão de
ser à sua tarefa.
Porém, as frases, poemas e sentenças, tomados isolada
e individualmente nesta integração, nunca se harmonizam
entre si – e isto por muito que dela dependa a tradução; mas
mesmo assim nela as diferentes línguas completam-se umas
às outras e reconciliam-se entre si no “modo de querer dizer”.
Se em todo caso existe uma “língua da verdade”, em que
sejam conservados silenciosamente sem tensões nem
conflitos os mais antigos e profundos mistérios de que o
pensamento se ocupa, então essa é a língua única e
verdadeira a que nos temos referido. É precisamente esta
língua, cuja perfeição o filósofo deve aspirar a pressentir e
descrever, que se encontra oculta no âmago das traduções.
Do mesmo modo que não existe nenhuma musa da
filosofia também não existe nenhuma musa da arte de
traduzir. No entanto, ao contrário do que querem supor aos
artistas sentimentalistas, estas atividades não são de maneira
alguma banalidades, e existe mesmo um tipo de gênio da
filosofia cujo anseio mais íntimo se constitui pela procura
dessa Língua superior que se manifesta através da tradução.
Les langues sont imparfaites en cela que plusieurs, manquent (de la
perfection) la suprême; penser étant écrire sans accessoires, ni
chuchotements, mais tacite encore l’éternelle parole, la diversité sur
terre des idiomes n’émpêche personne de proférer les mots qui, sinon
se trouveraient, par une frappe unique, être-elles-mêmes
matériellement la vérité.
Se nestas palavras de Mallarmé o filósofo é julgado com
severidade, então com o germe embrionário duma tal Língua
a tradução é situada entre a criação poética e a doutrina, ou
seja, a atividade do magistério. A sua tarefa subordina-se a
estas em importância, mas nem por isso é menos profunda a
sua influência na história.
Se a tarefa do tradutor for vista sob esta luz, os
caminhos que levam à resolução dos seus problemas fazem-
se escuros e ameaçam mesmo tornar-se impenetráveis. Sim,
esta tarefa de fazer amadurecer na tradução o germe
embrionário da Língua pura não se afigura jamais resolúvel e

nenhuma solução lhe parece estar predestinada. E não terá
afinal de ser assim, não será que se nega e retira as bases a
uma tal tarefa logo que deixe de ser decisiva a reprodução do
significado no original?31 De fato vendo as coisa dum ponto de
vista negativo, é isso o que acima temos dito. Fidelidade e
liberdade: liberdade na restituição do significado; e, ao
serviço deste significado, fidelidade para com as próprias
palavras: são estes os velhos conceitos que surgem sempre
que se fala da arte de traduzir. Eles porém já não parecem
ser de utilidade para uma teoria que tenha outras aspirações
que esta de reproduzir o significado, e é com razão que
tradicionalmente se considera estes dois conceitos em
permanente e constante contradição. E afinal como poderia a
fidelidade de fato contribuir para a reprodução do significado
do original?
A fidelidade da tradução das palavras isoladas quase
nunca consegue restituir completamente o significado que
estas têm no original. Pois o significado poético não é
restringido nem fica esgotado pela intenção do original, e esta
dinamiza-o na medida em que a intenção está ligada aos
modos de “querer dizer” existente numa determinada palavra.
É isto o que se costuma dizer quando se afirma que as
palavras comportam uma tonalidade afetiva. Aliás a
literalidade no que respeita à sintaxe violenta qualquer
tentativa de reprodução do significado e por vezes ameaça
mesmo conduzir-nos para o mais intolerável dos absurdos. As
traduções de Sófocles feitas por Hölderlin no século XIX, são
exemplos desta “literalidade” em matéria de traduções, e
compreende-se facilmente que a fidelidade quanto à
reprodução da forma dificulte a fidelidade que devemos ao
significado. Em conseqüência disso a exigência de literalidade
nas traduções não se deduz do interesse em preservar o
significado, e este favorece menos a poesia e a própria língua
que a liberdade desregrada dos maus tradutores.

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