Tradutor Inglês Português

Tradutor Inglês Português Grátis

Posted on: maio 22, 2010

Tradutor Inglês Português GrátisAssim, embora a sua razão de ser seja evidente, e por
os seus fundamentos estarem profundamente ocultos, esta
exigência de literalidade tem de ser compreendida em função
de relações adequadas: do mesmo modo que, se quisermos
juntar de novo os cacos de um vaso, estes tem de corresponder
uns aos outros, sem serem todavia necessariamente iguais
quanto às suas ínfimas particularidades, também a tradução,
em vez de imitar o original para se aparentar a ele, deve
insinuar-se com amor nas mais ínfimas particularidades tanto
dos modos do “querer dizer” original como na sua própria
língua, isto de maneira a junta-las como se fossem cacos de
um vaso, para que depois de as juntar elas nos deixem
reconhecer uma língua mais ampla que as abranja a ambas.
Por isso ela tem de renunciar em grande parte ao
simples propósito de comunicar algo, e o original passa a ser-
lhe essencial apenas na medida em que pelo fato de já existir,
dispensa o tradutor da fadiga e do sistema ou ordem daquilo
que é comunicado. Também quanto ao domínio abrangido
pela arte de traduzir é válido dizer que εν αρχη ην ο λογος, no
começo era a palavra. Por outro lado a sua linguagem pode e
deve mesmo descorar o significado, isso para que o seu
próprio intentio32 não ressoe como reprodução, mas sim como
harmonia e como complemento feito à língua em que se
comunica a simples reprodução, fazendo-se assim ouvir o
modo particular do seu intentio. Por isso não é o maior mérito
que uma tradução pode ter, sobretudo na própria época em
que surge, fazer-se compreendida como se fosse um texto
original.
Maior e mais importante é ainda o sentido de fidelidade
que ficaria doutro modo ocultado pela literalidade, isto para
que a partir da obra se faça ouvir a ânsia nostálgica pelo
complemento que aperfeiçoe e torna una a Língua. A
verdadeira tradução é transparente. Ela não oculta o original,
nem lhe rouba luz. Pelo contrário ela faz com que a Língua
pura, como que reforçada pelo seu próprio medium, incida

com ainda maior plenitude sobre o original. Isso é conseguido
em primeiro lugar pela literalidade na transmissão da sintaxe
que nos demonstra precisamente ser a palavra e não a
proposição33 o elemento primário do tradutor, pois a
proposição é a muralha que se coloca entre nós e a língua do
original, e a literalidade é o arco de ponte que nos serve de
acesso.
Se a fidelidade e a liberdade da arte de traduzir têm sido
consideradas até agora tendências contrárias, também a
exegese mais profunda de uma não reconcilia ambas, mas
muito pelo contrário nega à outra qualquer direito. Pois a que
se referirá a liberdade senão à reprodução do significado que
deve deixar de servir de padrão? No entanto mesmo se for
possível encontrar para o significado de uma imagem
lingüística uma formulação ou composição idêntica à sua
comunicação – muito perto e mesmo assim infinitamente
distante, escondido ou tornado mais claro, enfraquecido ou
reforçado por esse significado – permanecerá algo de
derradeiro e decisivo acima e para além de toda a
comunicação. Em todas as línguas e em todas as suas obras e
imagens, para além daquilo que se pode comunicar existirá
algo não comunicável, algo, que de acordo com a contextura
em que se encontra, será ou um Simbolizante34 ou um
Simbolizado: Simbolizante no caso das imagens já acabadas
nas línguas; Simbolizado no advir das próprias línguas. E
aquilo que se representa ou procura representar no advir das
línguas será a própria essência da Língua pura.
Se porém a Língua pura, por oculta ou fragmentária que
seja, estiver apesar de tudo presente na vida como está o
próprio Simbolizado, ela estará apenas simbolizada nas
imagens.35 Se a essência final, que é constituída pela própria
Língua pura, existir nas línguas ligadas apenas àquilo que há
nela de lingüístico (e às respectivas metamorfoses
lingüísticas), então essa essência será prejudicada por um
significado estranho e difícil.36 Libertá-la desse significado, e
tornar o Simbolizante no próprio Simbolizado, restaurando a
Língua pura que é formada no movimento da língua, constitui
o único mas possante poder do tradutor. Nesta Língua pura –
que já nada pretende exprimir e que já nada exprime, e que
pelo contrário é como que a palavra inexpressiva e criadora
que é o conteúdo em todas as línguas – reúne-se finalmente
toda a comunicação, todo o significado, e toda a intenção
num nível em que já não se diferenciam ou distinguem uns
dos outros.37
E precisamente nela se autentica a liberdade da
tradução com uma nova e mais elevada prerrogativa. Não é
do significado da comunicação que ela recebe o seu
fundamento, aliás porque a tarefa da fidelidade é
precisamente emancipá-la deste significado.38 Pelo contrário a
liberdade do tradutor afirma-se em termos da função da
Língua pura sobre a sua: libertar na sua própria essa Língua
pura que está desterrada no estrangeiro, e descativá-la da
obra em que está presa enquanto a remodela e lhe dá forma:
é essa a tarefa do tradutor. Por causa dessa Língua pura ele
demole e remove as velharias obsoletas da sua língua e
alarga-lhe as fronteiras:39 foi assim que Lutero, Voss,
Hölderlin e George alargaram os domínios em que era válida a
língua alemã.
Aquilo portanto que para as relações entre a tradução e
o original se refere ao significado pode ser mais facilmente
apreendido por um paralelo. Do mesmo modo que uma
tangente só toca ao de leve num único ponto da
circunferência, e do mesmo modo que a lei geométrica
apenas fixa e prevê este contato mas não o ponto em que ele
tem de se verificar, continuando a tangente depois disso o
seu caminho reto em direção ao infinito, também a tradução
toca apenas ao leve no original e somente num ponto
infinitamente pequeno do seu significado, para depois, de
acordo com a lei da fidelidade na liberdade do movimento da
língua, continuar e seguir o seu próprio caminho.

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