Tradutor Inglês Português

Tradutor Inglês Português

Posted on: maio 22, 2010

 Tradutor Inglês Português  Procurar na subjetividade recém-nascida e não na
própria vida da língua e das suas obras a essência tanto
dessas metamorfoses como da constância dos significados
seria, como confessaria até o psicologismo mais crasso,

confundir a ‘base de uma coisa’ com a sua essência;23 ou,
agora em palavras mais rigorosas, isso significaria nada
menos que negar, por incapacidade de raciocínio, um dos
mais poderosos e frutíferos processos históricos.24 E mesmo
se quiséssemos transformar a última palavra saída da pena de
um autor em tiro de misericórdia com que a sua obra é
abatida, não lograríamos com isso salvar a defunta teoria da
tradução. Assim é porque do mesmo modo que o significado e
a camada sonora de uma poesia se modifica completamente
com o decurso dos séculos também se modifica a própria
língua materna do tradutor. Sim, enquanto a palavra do poeta
sobrevive na sua própria língua as traduções de grande valor
também estão destinadas por um lado a contribuir para o
crescimento e engrandecimento da sua língua e por outro a
afundar-se entre as renovações que surgem. Neste sentido as
traduções estão longe de constituírem equações estéreis entre
duas línguas diferentes, porque, em todas as suas formas e
partindo do amadurecimento posterior da palavra artística que
lhe serve de base, lhes cabe muito particularmente notar a
dor e vida da sua própria língua.

Não é através de vagas semelhanças entre o original e a
imitação que se manifesta numa tradução o parentesco e
afinidade das línguas. Aliás como é geralmente óbvio não é
necessário que se encontre a semelhança no parentesco. E
desta maneira o conceito de afinidade está também de acordo
com a sua acepção mais restrita, pois ele não pode de
maneira alguma ser satisfatório e suficientemente definido em
termos da ocasional semelhança na descendência de ambos
os casos, se bem que essa semelhança permaneça
indispensável para determinar a acepção mais restrita do
próprio conceito de afinidade e parentesco.
Onde poderemos, porém, encontrar a afinidade de duas
línguas a não ser no seu parentesco histórico? Se é verdade
que ela não se encontra na semelhança das palavras também
é verdade que não poderá ser localizada na semelhança de

dois poemas. A afinidade das línguas que se situa para além
dos laços históricos depende, sobretudo, do fato da totalidade
de cada uma delas pretender o mesmo que a outra, não
conseguindo todavia alcançá-lo isoladamente, pelo que as
línguas se complementam umas às outras quanto à totalidade
das suas intenções, que aliás seriam apenas atingíveis pela
língua pura. Enquanto que por um lado todos os elementos
particulares das línguas estrangeiras – as palavras, as frases
e as relações – se excluem reciprocamente, por outro lado as
próprias línguas completam-se nas intenções comuns que
pretendem alvejar. Apreender esta lei, que é um dos
princípios básicos da filosofia das línguas, equivale a
reconhecer-se, em termos da “intenção”, a diferença que
separa o “conteúdo” e o “modo-de-querer-dizer”.25
Em “Brot” e “pain” o conteúdo é de fato o mesmo, mas
o “modo” de pretender expressa-lo é já diferente. Depende do
“modo-de-querer-dizer” o fato de ambas estas palavras
significarem em francês e alemão algo de diferente, pois que
elas não podem ser permutadas entre si porque ao fim e ao
cabo tendem a excluir-se uma à outra; quanto ao conteúdo
porém elas são absolutamente idênticas. Enquanto que os
modos de apresentação se opõem indubitavelmente em
ambas estas palavras, vistos em termos das línguas de onde
provêm, os “modos de querer ver” completam-se
reciprocamente um ao outro, completando-se aliás em função
do significado26 que eles pressupõem. As diferentes línguas,
consideradas isoladamente uma das outras, são incompletas,
e nelas os significados nunca são encontrados numa relativa
independência, como nas palavras isoladas ou nas frases. Os
significados encontram-se pelo contrário em constante
metamorfose, até que, da harmonia de todos esses “modos
de querer ver”, eles conseguem irromper como Língua
perfeita e pura, permanecendo até aí latente nas outras
línguas. Se eles conseguem porém crescer ao ponto de
culminarem no próprio fim messiânico da sua história, então é

a tradução que se acende na eterna flama da sobrevivência
da obra original e no fogo infinito do renascer das línguas,
pondo assim sempre de novo à prova esse sagrado
crescimento das línguas, isto por muito longe que o mistério
das verdades ocultas se encontre da sua revelação e por
muito presente que seja em nós a consciência dessa
distância.

Reconhecemos com isto que toda a tradução não é mais
do que uma maneira provisória27 de nos ocuparmos a fundo
com a disparidade das línguas. O ser humano tem
inevitavelmente de se contentar com uma solução provisória e
temporária, negando-se-lhe a possibilidade de resolver de
uma vez para sempre esta disparidade, e não lhe sendo
também dado aspirar a superá-la diretamente, pois só o
desenvolvimento das religiões – e mesmo este apenas
indiretamente – dá à semente oculta nas línguas um
amadurecimento superior. Se, ao contrário do que sucede
com a Arte, a tradução não reivindica a característica da
durabilidade para as suas criações, ela nem por isso renuncia
a progredir em direção a uma última, final e decisiva fase,
para que aliás tende todo o destino lingüístico.
Na tradução o original pode ascender ao mesmo
espaçoso círculo da Língua pura e elevada, em que
certamente não conseguirá manter-se por muito tempo, e do
mesmo modo não conseguirá também alcançá-lo em todos os
aspectos da sua forma, mas apontá-los-á todavia duma
maneira maravilhosamente penetrante, como domínio
predestinado e inacessível onde as línguas se reconciliam e
atingem toda a sua plenitude. Esse domínio não é alcançado
pela violência e pela força, nele existindo algo que faz de uma
tradução mais do que uma mera comunicação. Para usar
maior rigor podemos definir este cerne ou núcleo central
como sendo em si próprio intraduzível. Por muitos elementos
de comunicação que de fato se consiga extrair e traduzir, ele
permanecerá sempre uma intacta e intocável zona para qual

converge o trabalho do genuíno tradutor. E ela não pode ser
transmitida pelo mesmo modo que no original, porque são
completamente diferentes28 neste e na tradução, as relações
entre o conteúdo e a linguagem. No caso do texto original
estas relações constituem como que uma certa unidade
semelhante à que existe entre o fruto e a pele de que se
reveste, enquanto que a língua da tradução envolve o
conteúdo desta como um manto real com dobras e pregas
muito amplas, pois a tradução implica uma linguagem mais
elevada do que ela própria, permanecendo deste modo um
quanto forçada, estranha mesmo, e até desproporcionada ao
seu conteúdo.
Esta deficiência não só impede mas torna ao mesmo
tempo inútil a chamada transmissão pois que a tradução feita
num certo momento da história lingüística representa em
determinado aspecto do conteúdo da obra traduzida aqueles
também existentes em todas as outras línguas restantes. A
tradução transplanta assim o original pelo menos para uma
zona ou domínio mais válido e definitivo que qualquer
transmissão, conseguindo aqui renascer sempre de novo e em
diferentes aspectos. Para caracterizar este processo de
transplantação poderíamos recorrer aqui à palavra “ironia” no
sentido utilizado pelos românticos, que foram aliás os
primeiros a apreender a vida que existe numa obra, vida essa
de que a Arte de traduzir nos dá um elevado e convincente
testemunho. Sem dúvida eles mal a reconheceram como tal,
dedicando toda sua atenção à crítica que também não
representa mais do que um breve instante na sobrevivência
de uma obra. No entanto, apesar de não terem dedicado os
seus estudos teóricos à arte de traduzir, os tradutores desta
época deram-nos verdadeiras obras-primas que são
acompanhadas por uma inegável intuição da natureza e uma
bem formulada consciência daquilo que deve ser a dignidade
da tradução como forma.

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