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Posted on: maio 22, 2010

Tradutor OnlineDeste modo deveria ser tomada em consideração a
traduzibilidade das idéias literárias mesmo se estas fossem
intraduzíveis para os seres humanos.12 E não será que de
acordo com um rigoroso conceito de tradução assim deveria
verdadeiramente ser pelo menos até um determinado grau?
Em face de uma tal análise põe-se o problema de saber se a
tradução de certas idéias literárias deveria ou não ser
fomentada13 pois que passaria a ser válida a seguinte
proposição: se é que a tradução é uma forma,14 então a
traduzibilidade de determinadas obras é algo que se encontra
e localiza na sua própria essência.

O fato da traduzibilidade ser própria de certas obras não
significa que a sua tradução lhes seja necessária e essencial
mas sim que um determinado significado, existente na
essência do original, se expressa através da sua
traduzibilidade. E evidente que uma tradução, por muito boa
que seja, nunca consegue afetar ou mesmo ter um significado
positivo para o original.15 Ela mantém, no entanto, com o
original uma estreita conexão através da traduzibilidade. E
esta conexão é tanto mais estreita e íntima por não afetar o
original, podendo ser denominada como conexão natural, ou
mesmo, num sentido mais rigoroso, como relação vital. Do
mesmo modo que as exteriorizações vitais se mantêm
intimamente relacionadas com os seres viventes, sem todavia
os afetar, a tradução nasce também do original,16 procedendo
neste caso não tanto da vida como antes da “sobrevivência”
da obra. Isto porque a tradução é posterior ao original, e,
como os tradutores predestinados nunca as encontram na
época da sua formação e nascimento, a tradução indica, no
caso das obras importantes, a fase em que se prolonga e
continua a vida destas.

Não é metafórica mas sim literalmente que se deve
entender a vida e sobrevivência de uma obra de arte. Já
mesmo nos tempos do pensamento mais acanhado e primitivo
se suspeitava que se não devia atribuir vida apenas a seres e
corpos orgânicos. Não se trata, porém, de limitar a vida
simplesmente àquela extensão onde se observa o domínio do
débil cetro da alma, como pretendia Fechner, e muito menos
se aspira aqui a defini-la em termos de momentos e funções
de animalidade fisiológica ainda menos representativos e só
ocasionalmente característicos da vida, como é o caso das
sensações. Só se faz inteira justiça a este conceito de Vida
quando se reconhece a sua existência em tudo aquilo que dá
origem à História e que não se limita a ser simplesmente o
palco onde esta é representada. Assim é por ser a História e
não a Natureza – isto para não falar de coisa tão efêmera
como as sensações – que em última análise determina o
decurso e o âmbito da Vida.
Cabe deste modo ao filósofo a tarefa de compreender
toda a vida “natural” no enquadramento mais vasto da
História.17 E não será que a sobrevivência das obras seja pelo
menos incomparavelmente mais fácil de reconhecer que a
sobrevivência dos seres da criação. A História mostra-nos
como as grandes obras de arte descenderam das suas fontes,
deixa-nos ver como estas adquiriram a sua forma durante a
vida do artista, e revela-nos o período fundamentalmente
eterno da sua sobrevivência através das gerações vindouras,
dando-se a esta ultima fase, quando ela de fato se verifica, o
nome de glória. As traduções que são mais do que meras
intermediárias só surgem quando uma obra atingiu a época
da sua glória. Ao contrário do que reclamam para si os maus
tradutores, as traduções não favorecem esta época de glória e
são mesmo beneficiadas por ela, devendo-lhe a sua
existência, pois que a vida da obra original chega até as
traduções
constantemente
renovada
e
com
um
desenvolvimento cada vez mais amplo e recente.

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