Tradutor Inglês Português

Tradutor

Posted on: maio 22, 2010

TradutorPara o conhecimento de uma forma artística ou de uma obra
de arte não se revela de maneira alguma frutífero tomar em
consideração aqueles a quem ela se dirige! Assim é, não só
porque qualquer relacionação com determinado público ou
com os seus representantes significa um desvio desnecessário,2 mas também porque o próprio conceito ou
noção de um público “ideal” prejudica todas as discussões
teóricas sobre a arte, pois estas devem apenas aceitar e ter
como pressuposto a existência e a essência do humano. A
própria Arte também não pressupõe senão o ser humano na
sua natureza espiritual e corporal, e nunca a atenção que esta
dispensa às suas obras. Nenhum poema é válido em função
de quem o lê, nenhuma pintura se limita em termos do seu
possível espectador, nenhuma sinfonia se reduz àquilo que o
seu auditório consegue ouvir.3 Será que uma tradução seja
válida em termos dos leitores que não entendem a obra
original?4 Isso explicaria de modo suficiente e convincente a
diferença de grau e categoria que separa no domínio da Arte
uma tradução e o texto original. Além disso, parece ser esta a
única razão para se voltar a dizer “a mesma coisa”.5 Que nos
“diz” então uma poesia? Que comunica ela? Muito pouco
àqueles que a compreendem. O essencial nela não é a
comunicação,6 não é o depoimento.7 Aquelas traduções que
escolhem para si o papel de intermediário, que em nome
doutro transmite ou comunica, não conseguem transmitir
senão a comunicação, ou seja, o inessencial. E esta é uma
das características por que se reconhece uma má tradução.
Não será então aquilo que para além da comunicação existe
numa poesia – e até o mau tradutor concede que aqui se
situa o essencial – o que geralmente se cognomina de
inapreensível, misterioso e “poético”?8 Ou seja, aquilo que o
tradutor só consegue transmitir na medida em que também ele escreva poesia? Chegamos com isto à segunda
característica das más traduções e que pode ser definida
como transmissão deficiente e inexata dum conteúdo não-
essencial.9 E assim continuará enquanto a tradução estiver
comprometida a servir o leitor. A tradução só deve ir ao
encontro do leitor no caso de também assim acontecer com o
original. Mas se não for essa a finalidade do original como se
poderá compreender que a tradução assuma uma tal
prerrogativa?
A tradução é em primeiro lugar uma forma. E concebê-la
como tal significa antes de tudo o regresso ao original em que
ao fim e ao cabo se encontra afinal a lei que determina e
contém a “traduzibilidade” da obra. Este problema da
“traduzibilidade” de uma obra é susceptível de duas
interpretações: com a primeira inquire-se a possibilidade de
jamais se encontrar entre todos os seus leitores um tradutor
acessível, pondo assim uma questão a que só pode
corresponder uma resposta também problemática; com a
segunda interpretação – aliás a mais pertinente e apropriada
– pergunta-se se a natureza da obra permite uma tradução,10
ou, de acordo com o significado dessa forma, se até não exige
e reclama, levantando-se aqui um problema a que se deve
responder de modo claro e apodíctico.
Evidentemente só um espírito superficial poderia
considerar idênticas estas duas interpretações, negando com
isso o significado dependente e autônomo de que se reveste o
último problema aqui apresentado. Aponte-se desde já que
certos conceitos de relação preservam o seu bom sentido
(deveríamos talvez dizer o seu melhor sentido) quando não se
começa logo de antemão a referi-las exclusivamente a
pessoas.11 Podemos mesmo falar de uma vida ou momento
inesquecível também quando já toda a gente os tenha
esquecido, pois, caso a sua natureza exija que não sejam
esquecidos, esse predicado não se torna falso pelo fato de
constituir uma exigência a que os homens não se podem elevar; e implica também ao mesmo tempo a referência a um
âmbito ou domínio em que ele seria valido, ou seja, o âmbito
dos divinos pensamentos de Deus.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: