Tradutor Inglês Português

Tradutor Inglês Para Português

Posted on: maio 23, 2010

Tradutor Inglês Para PortuguêsTradutor Inglês Para PortuguêsTradutor Inglês Para PortuguêsTradutor Inglês Para PortuguêsEm parte alguma, o fato de se levar em consideração o
receptor de uma obra de arte ou de uma forma artística
revela-se fecundo para o seu conhecimento. Não apenas o
fato de se estabelecer uma relação com determinado público
ou seus representantes constitui um desvio; o próprio
conceito de um receptor “ideal” é nefasto em quaisquer
indagações de caráter estético, pois devem pressupor
unicamente a existência e a natureza do homem em geral. Da
mesma forma, também a arte pressupõe sua atenção. Pois
nenhum poema dirige-se ao leitor, nenhum quadro, ao
espectador, nenhuma sinfonia, aos ouvintes.
E uma tradução? Será ela dirigida a leitores que não
compreendem o original? Essa questão parece explicar
suficientemente a diferença de estatura entre ambos no
âmbito da arte. Além disso, parece ser este o único motivo
possível para se dizer “a mesma coisa” repetidas vezes. O que
“diz” uma obra poética? O que comunica? Muito pouco para
quem a compreende. O que lhe é essencial não é a
comunicação, não é o enunciado. E, no entanto, a tradução
que pretendesse comunicar algo não poderia comunicar nada
que não fosse comunicação, portanto, algo inessencial. Pois
essa é mesmo uma característica distintiva das más
traduções. Mas aquilo que está numa obra literária, para além
do que é comunicado (e mesmo o mau tradutor admite que
isso é o essencial) não será isto aquilo que se reconhece em
geral como o inaferrável, o misterioso, o “poético”? Aquilo que
o tradutor só pode restituir ao tornar-se, ele mesmo, um
poeta? De fato, daí deriva uma segunda característica da má
tradução, que se pode definir, conseqüentemente, como uma
transmissão inexata de um conteúdo inessencial. Mas se ela
fosse destinada ao leitor, também o original o deveria ser. Se
o original não existe em função do leitor, como poderíamos

compreender a tradução a partir de uma relação dessa
espécie?
A tradução é uma forma. Para compreendê-la como tal,
é preciso retornar ao original. Pois nele reside a lei dessa
forma, enquanto encerrada em sua traduzibilidade. A
traduzibilidade de uma obra possui um duplo sentido. Ela
pode significar: encontrará a obra jamais, dentre a totalidade
de seus leitores, seu tradutor adequado? Ou então, mais
propriamente: admitirá ela, em conformidade com sua
essência, tradução e, conseqüentemente (em consonância
com o significado dessa forma), a exigirá também? Em
princípio, a primeira questão só admite uma solução
problemática, sendo a segunda apodíctica. Somente o
pensamento superficial irá declarar ambas como igualmente
significativas, negando o sentido autônomo da segunda.
Diante disso deve-se assinalar que certos conceitos
relacionais preservem todo o seu significado, aliás, talvez, até
mesmo seu melhor significado, quando não são referidos a
priori exclusivamente ao ser humano. Nesse sentido, poder-
se-ia falar de uma vida ou de um instante inesquecível,
mesmo que todos os homens o tivessem esquecido. Pois se
sua essência exigisse não serem esquecidos, aquele predicado
não conteria nada de falso, apenas uma exigência à qual os
homens não correspondem e ao mesmo tempo também a
referência a uma esfera, na qual essa exigência fosse
correspondida: a uma rememoração de Deus. De maneira
análoga, a traduzibilidade de construções de linguagem
deveria ser levada em consideração, ainda que elas fossem
intraduzíveis para os homens. E, não seriam elas, até certo
ponto, de fato intraduzíveis, se partimos de um determinado
conceito de tradução? E é preservando uma tal separação que
se deve questionar se a tradução de determinada estrutura de
linguagem deve ser exigida. Pois vale o princípio: se a
tradução é uma forma, a traduzibilidade deve ser essencial a
certas obras.

A traduzibilidade é, em essência, inerente a certas
obras; isso não quer dizer que sua tradução seja essencial
para elas mesmas, mas que um determinado significado
inerente aos originais se exprime na sua traduzibilidade. É
mais do que evidente que uma tradução, por melhor que seja,
jamais poderá ser capaz de significar algo para o original.
Entretanto, graças à sua traduzibilidade, ela encontra-se
numa relação de grande proximidade com ele. E, de fato,
essa relação é tanto mais íntima quanto nada mais significa
para o próprio original. Pode ser denominada uma relação
natural ou, mais precisamente, uma relação de vida. Da
mesma forma que as manifestações vitais estão intimamente
ligadas ao ser vivo, sem significarem nada para ele, a
tradução provém do original. Na verdade, ela não deriva tanto
de sua vida quanto de sua sobrevivência. Pois a tradução é
posterior ao original e assinala, no caso de obras importantes,
que jamais encontram à época de sua criação seu tradutor de
eleição, o estágio da continuação de sua vida. A idéia da vida
e da continuação da vida de obras de arte deve ser entendida
em sentido inteiramente objetivo, não metafórico. O fato de
que não seja possível atribuir vida unicamente à corporeidade
orgânica foi intuído mesmo por épocas em que o pensamento
sofria as piores limitações. Mas nem por isso trata-se de
estender o império da vida sob o débil cetro da alma, da
forma tentada por Fechner; menos ainda, trata-se de poder
definir a vida a partir de aspectos da animalidade, ainda
menos propícios a servirem de medida, como o sentimento,
que apenas ocasionalmente é capaz de caracterizá-la. É
somente quando se reconhece vida a tudo aquilo que possui
história e que não constitui apenas um cenário para ela, que o
conceito de vida encontra sua legitimação. Pois é a partir da
história (e não da natureza – muito menos de uma natureza
tão imprecisa quanto a sentimento ou alma) que pode ser
determinado, em última instância, o domínio da vida. Daí
deriva, para o filósofo, a tarefa: compreender toda a vida

natural a partir dessa vida mais vasta que é a história. E não
será ao menos a continuação da vida das obras
incomparavelmente mais fácil de reconhecer do que a das
criaturas? A história das grandes obras de arte conheceu sua
descendência a partir das fontes, sua configuração, na época
do artista, e o período da continuação de sua vida,
fundamentalmente eterna, nas gerações posteriores. Quando
surge, essa continuação da vida das obras recebe o nome de
fama. Traduções que são algo mais do que meras
transmissões surgem quando uma obra alcança, ao longo da
continuação de sua vida, a era de sua fama. Por isso, elas não
estão tanto a serviço de sua fama (como costumam alegar os
maus tradutores em favor de seu trabalho), quanto lhe devem
existência. Nelas, a vida do original, alcança, de maneira
constantemente renovada, seu mais tardio e vasto
desdobramento.
Enquanto desdobramento de uma peculiar vida elevada,
esse desdobramento, é determinado por uma finalidade
peculiar elevada. Vida e finalidade: seu nexo, aparentemente
mais tangível, mas que praticamente se subtrai ao
conhecimento, é descoberto apenas onde aquele fim, para o
qual convergem todas as finalidades da vida, deixa de ser, por
sua vez, buscado na sua própria esfera, para ser procurado
numa esfera mais elevada. Todas as manifestações finalistas
da vida, bem como sua finalidade em geral, não são
conformes, em última instância, às finalidades da vida, mas à
expressão de sua essência, à exposição de seu significado.
Assim, finalmente, a tradução tende a expressar o mais
íntimo relacionamento das línguas entre si. Ela própria não é
capaz de revelar, nem é capaz de instituir essa relação oculta;
pode, porém, apresentá-la, atualizando-a de maneira
germinal ou intensiva. E essa apresentação de um objeto
significado mediante a tentativa, o germe de sua constituição,
é um modo muito peculiar de apresentação, o qual
dificilmente pode ser encontrado no âmbito da vida não-lingüística, que conhece, nas analogias e nos signos, outros
tipos de referência, além da atualização intensiva, isto é,
alusiva, antecipatória. Mas aquela aludida relação de
intimidade entre as línguas constitui uma convergência muito
particular. Consiste no fato de que as línguas não são
estranhas umas às outras, sendo a priori – e abstraindo de
todas as ligações históricas – afins naquilo que querem dizer.
Com essa tentativa de explicação, o pensamento parece
estar novamente desembocando, depois de rodeios inúteis, na
tradicional teoria da tradução. Se é a afinidade entre as
línguas o que deve se verificar nas traduções, como poderiam
elas fazê-lo, senão pela transposição mais exata possível da
forma e do sentido do original? Naturalmente, a teoria em
questão não saberia manifestar-se a respeito de como tal
exatidão seria concebida e, finalmente, não poderia dar conta
daquilo que é essencial em traduções. Na verdade, porém,
numa tradução, a afinidade entre as línguas demonstra-se
muito mais profunda e definida do que na semelhança
superficial e vaga entre duas obras poéticas. Para
compreender a autêntica relação entre original e tradução
deve-se realizar uma reflexão, cujo propósito é absolutamente
análogo ao dos argumentos por meio dos quais a crítica
epistemológica precisa comprovar a impossibilidade de uma
teoria da imitação. Se em tal caso demonstra-se não ser
possível haver objetividade (nem mesmo a pretensão a ela)
no processo do conhecimento, caso ele consista apenas de
imitações do real, em nosso caso, pode-se comprovar não ser
possível existir uma tradução, caso ela, em sua essência
última, ambicione alcançar alguma semelhança com o
original. Pois na continuação de sua vida (que não mereceria
tal nome, se não se constituísse em transformação e
renovação de tudo aquilo que vive), o original se modifica.
Também existe uma maturação póstuma das palavras que já
se fixaram: elementos que à época do autor podem ter
obedecido a uma tendência de sua linguagem poética,
poderão mais tarde ter-se esgotado; tendências explícitas
podem destacar-se ex novo daquilo que já possui forma.
Aquilo que antes era novidade, mais tarde poderá soar gasto;
o que antes era de uso corrente pode vir a soar arcaico.
Procurar o essencial de tais mudanças (bem como das
igualmente
constantes
modificações
do
sentido)
na
subjetividade dos pósteros, em vez de buscá-lo na vida mais
íntima da linguagem e de suas obras seria, mesmo se
admitirmos o mais tosco psicologismo, confundir causa e
essência de um objeto; expresso de modo mais rigoroso:
seria negar um dos processos históricos mais poderosos e
produtivos por impotência do pensamento. E mesmo se se
pretendesse transformar o ponto final do autor no tiro de
misericórdia da obra – isso não salvaria aquela defunta teoria
da tradução. Pois da mesma forma com que tom e significado
das grandes obras poéticas se transformam completamente
ao longo dos séculos, também a língua materna do tradutor
se transforma. Pois enquanto a palavra do poeta perdura em
sua língua materna, mesmo a maior tradução está fadada a
desaparecer dentro da evolução de sua língua e a soçobrar
em sua renovação. Tão longe está de ser a equação surda
entre duas línguas findas que, precisamente, dentre todas as
formas, a ela mais propriamente compete atentar para aquela
maturação póstuma da palavra estrangeira, e para as
dolorosas contrações da própria.

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