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Tradutores

Posted on: maio 23, 2010

TradutoresCom esta tentativa de explicação, nossa consideração
parece, com efeito, desembocar, uma outra vez, através de
desvios inúteis, na teoria tradicional da tradução. Se nas
traduções a afinidade entre as línguas é de se comprovar,
como evidenciá-la a não ser pela transmissão a mais exata
possível da forma e do sentido original? Sem dúvida, pelo
conceito dessa exatidão, a teoria em pauta não saberia
exprimir-se e, por conseguinte, não poderia, afinal, dar conta
do que é essencial na tradução. Em verdade, contudo, a
afinidade das línguas se prova em uma tradução de maneira
mais exata e determinada do que na semelhança superficial e
indefinível de duas obras literárias (Dichtungen). Para
apreender a relação autêntica entre o original e a tradução é
necessário proceder a um exame, cujo raciocínio é análogo ao
curso do pensamento, pelo qual a crítica do conhecimento há
de mostrar a impossibilidade de uma teoria da imitação. Por
esta crítica se comprova que não há objetividade no
conhecimento, nem sequer a pretensão de alcançá-la, se esta
consistisse em cópias do real; deste modo pode-se provar que
não seria possível tradução alguma se ela pretendesse, em
sua essência última, assemelhar-se ao original. Pois em sua
pervivência que não mereceria tal nome se não fosse
metamorfose e renovação do que vive, o original se modifica.
Mesmo as palavras fixadas continuam a pós-madurar
(Nachreife). O que na época de um autor pôde ser uma
tendência da sua linguagem poética, pode mais tarde tornar-
se obsoleta e tendências imanentes se renovam a partir do
pré-formado. O então jovem pode mais tarde soar
desgastado, o então corrente soar arcaico. Buscar a essência
dessas mudanças, assim como daquelas, não menos
constantes, do sentido, na subjetividade dos pósteros, em vez
de fazê-lo na vida mais íntima da língua e de suas obras –
mesmo assumindo o mais cru psicologismo – seria confundir o
fundamento de uma coisa com sua essência, ou mais
exatamente, seria negar por impotência do pensamento um
dos processos históricos mais poderosos e fecundos. E, se
tomássemos o ponto final do autor como o golpe de
misericórdia dado à obra, ainda assim não se salvaria aquela
teoria morta da tradução. Pois como a tonalidade e o
significado das grandes obras literárias mudam por completo
com os séculos, assim também muda a língua materna do
tradutor. Precisando: enquanto a palavra do poeta permanece
na própria língua, mesmo a melhor tradução está destinada a
integrar-se no crescimento da sua, está destinada a perecer
na sua renovação. A tradução é tão distante de ser a equação
estéril de duas línguas mortas que, precisamente, entre todas
as formas, lhe cabe como especificidade atentar àquela pós-
maturação da palavra estrangeira, às dores do parto da
própria palavra.
A afinidade das línguas anunciada na tradução nada tem
a ver com a vaga semelhança entre imitação e original. Do
mesmo modo, em geral está claro que semelhança não
implica necessariamente afinidade. Além disso, neste
contexto, sendo o conceito de afinidade tomado em seu uso
mais rigoroso, não se pode defini-lo pela identidade de origem
nos dois casos, mesmo que para a determinação deste uso
mais rigoroso o conceito de origem seja certamente
indispensável. Onde se pode buscar a afinidade entre duas
línguas, se seu parentesco histórico é abstraído? Nem na
semelhança das obras nem, muito menos, na de suas
palavras. Toda afinidade meta-histórica repousa muito mais
no fato de que, em cada uma delas, tomada como um todo,
algo é significado, que sendo o mesmo não pode, entretanto,
ser alcançado por nenhuma delas isoladamente, mas apenas
pelo todo de suas intenções reciprocamente complementares:
a língua pura. Com efeito, enquanto todos os elementos
singulares, as palavras, as frases, as correlações de línguas
estrangeiras se excluem, essas línguas se complementam em
suas próprias intenções. Para apreender exatamente esta lei,
uma das fundamentais da filosofia da linguagem, é necessário
distinguir, na intenção, o-que-se-significa (das Gemeine) do
modo de significá-lo (die Art des Meinens). Em Brot e pain, o
significado sendo seguramente o mesmo, não o é a maneira
de significar. Em virtude deste modo de significar, as duas
palavras dizem algo de diferente para o alemão e para o
francês, não sendo intercambiáveis e mesmo, por fim, tendem
a excluir-se uma à outra, ao passo que, no que concerne ao
significado, tomado absolutamente, as palavras dizem o
mesmo. Enquanto o modo de significar nas duas palavras se
opõe, completa-se ele nas duas línguas de onde provém.
Nelas, o modo de significar se acrescenta ao significado. Nas
línguas particulares, incompletas portanto, o que significam
nunca se encontra em relativa independência, como nas
palavras ou frases consideradas isoladamente, senão que em
constante mudança, na expectativa de emergir como a língua
pura da harmonia de todos estes modos de significar. Até
esse momento isso permanece oculto nas línguas. Mas, se
estas se desenvolvem até o fim messiânico de sua história, é
a tradução, por extrair sua chama da eterna pervivência das
obras e do renascimento infinito das línguas, que sempre e de
novo põe à prova este sagrado crescimento das línguas: para
saber até que ponto o mistério que encobrem está distante da
revelação e como poder-se-ia fazer presente no saber desta
distância.

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